O principal argumento dos puristas que dizem odiar carros elétricos é a alegação de que eles “não passam emoção”. Eu acredito que contra fatos não há argumentos, então sempre digo a eles que experimentem na prática e só então opinem com base, pois eu mesmo era hater e isso mudou por completo. 100%, sério.
Você pode começar por um elétrico normal como um Geely EX2 que já terá uma boa noção, mas se quiser derrubar esse argumento definitivamente escolha algo mais forte, mais rápido, mais… estúpido como um Audi RS e-tron GT Performance igual ao que pude pilotar no último Audi Driving Experience. Quer saber o porquê?

Um alemão superlativo
Dá pra falar muita coisa bacana sobre o RS e-tron GT Performance, mas há um único fato que evidencia todo o poder que emana dele: esse é, simplesmente, o Audi de rua mais poderoso e mais rápido já feito até hoje. Pois é. Em todos esses anos, de tudo que a montadora já fez focado em performance, ele superou todos.
Seu lançamento aqui no Brasil aconteceu há pouquíssimo tempo, em junho, pelo preço inicial de R$1.334.990 e vendas exclusivamente sob encomenda. Você também pode complementá-lo com detalhes externos em fibra de carbono que chegam a 50 mil reais, bem como interiores especiais que podem custar 100 mil reais.

Perto dos mil
O Audi RS e-tron GT Performance é movido por um conjunto elétrico que despeja até 748cv e 100,4kgfm de potência e torque máximos nas quatro rodas, números absurdos que ficam ainda mais insanos com as funções Push-to-Pass e o famigerado Launch Control, elevando o nível da brincadeira ao extremo.
O Push-to-Pass é ativado por um botão no volante e sobe a potência máxima pra 843cv por 10 segundos a qualquer momento da condução. Já o Launch Control, engatilhado ao sair com o carro parado, entrega incríveis 925cv e 104,7kgfm pra levar o esportivo de 0 a 100km/h em 2,5 segundos. Dois. Segundos. E meio.
Além dos números de desempenho estúpidos, o RS e-tron GT Performance chega com arquitetura elétrica de 800 volts e bateria de 105kWh, aceitando recargas de até 320kW em corrente contínua (DC) que podem levar o nível da bateria de 0 a 100% em apenas 18 minutos. É um grande salto frente aos e-tron GT anteriores.

Um grand tourer apropriado
A lista de equipamentos do RS e-tron GT Performance inclui: faróis Matrix com luz alta a laser, ar-condicionado de três zonas, som Bang & Olufsen 3D, esterçamento das rodas traseiras, teto panorâmico com transparência configurável, Head-Up Display, etc. Como opcionais há visão noturna (R$30.000) e detalhes de acabamento.
O maior destaque, contudo, é a suspensão pneumática ativa que combina bolsas de ar a um sistema eletromecânico, capaz de realizar ações em frações de segundo como compensar inclinações da carroceria, levantar e abaixar o carro ao entrar e sair pra facilitar o acesso como no atual Porsche Panamera, etc. É bem legal.

Sem noção
Mogi Guaçu/SP – olha… Eu já andei em elétricos normais, em elétricos fortes (como os P8 da Volvo) e em elétricos muito fortes (como o Mustang Mach-E e o BYD Seal), então achei que tava preparado pro RS e-tron GT Performance. Eu tinha quase certeza que sabia o que me esperava, mas não. Eu não fazia a menor ideia.
Andar em um veículo que faz de 0 a 100km/h em menos de 5 segundos é uma coisa que começa a transformar nossas sensações e reações, mas isso se intensifica à medida em que o tempo diminui cada vez mais. Menos de 4 segundos, menos de 3 segundos… Entendeu onde quero chegar, não é? Pois bem.
Até então, o carro mais poderoso e rápido que eu já tinha andado na vida era o Porsche Cayenne Turbo GT que testei em 2024 e mano… o bicho é um furacão que vai de 0 a 100km/h em 3,3 segundos, mas a coisa ganha outro vulto quando a gente reduz isso em quase um segundo. Parece pouco, eu sei, mas só parece.

Abri a porta pra entrar e a suspensão ativa ergueu o e-tron GT instantaneamente pra facilitar o acesso – ela faz isso ao se abrir qualquer porta, o que é importante porque trata-se de um modelo bem baixo. Me acomodei no banco estilo concha e então o instrutor me orientou sobre como ativar o Launch Control.
Com o veículo parado, selecione o modo Dynamic, coloque em D e afunde os pés nos pedais – um no freio, outro no acelerador. Dá pra sair sem ele, mas o grande lance é que só ele libera todos os 925cv pra que a patada seja a mais extrema possível. Com tudo pronto, respire fundo, solte o freio e segure o volante.
Meu irmão… Quando soltei o freio, meu corpo não foi empurrado pra trás: ele foi puxado como se alguém quisesse me abduzir. Só vi as coisas passando rápido demais e meu sistema interno sem entender o que tava acontecendo. É tão bisonho que a gente nem tem tempo direito de reagir ou de analisar o que acabou de acontecer.

Eu consegui “me acostumar”, entre muitas aspas, nas passadas seguintes. Na verdade não foi costume: eu consegui ajustar meu tempo de reação e minha percepção pra lidar com esse monstro, mas a sensação da primeira puxada vai ficar na minha memória pra sempre, pois nunca vivenciei nada parecido. É bizarro.
O melhor de tudo é que o RS e-tron GT Performance deixa claro que tá na sua mão o tempo todo; não há descontrole, insegurança, nada que gere dúvidas. É claro que é isso que se espera de um esportivo desse calibre e que custa tanto, mas ainda é surpreendente como os alemães conseguem ser extremamente técnicos.

Imagino que o RS e-tron GT Performance tenha outras qualidades (e também defeitos, é claro) no uso diário, mas o breve contato que tive no circuito deixou as melhores impressões possíveis. Como já disse, elétricos conseguem ser absurdamente divertidos e o Audi mais rápido até hoje reforçou isso.
Não recuse quando tiver a chance de andar em um, seja ele qual for. Se tiver a sorte de conseguir um RS desses, melhor ainda, pois esse é o tipo de carro que promove um check-up médico a cada volta. Se você sair dele ileso, sem sintomas como tontura ou enjôo, é sinal de que sua saúde está 100%.









