Faz pouco tempo desde que tive meu último contato com um SUV de sete lugares; no caso, tô falando do Jeep Commander Blackhawk flex que avaliei há algumas semanas. Reclamei sobre a escassez desse tipo de veículo verdadeiramente familiar no Brasil, mas há uma novidade que ajuda a melhorar isso: o JETOUR S08.
Quinto produto da marca que estreou no Brasil em março desse ano, o S08 é o seu penúltimo lançamento previsto pra 2026 e é, até agora, o modelo mais versátil da empresa por trazer sete lugares e diversas possibilidades de uso dos assentos. Fui até São Paulo pra conhecê-lo de perto, analisando suas qualidades e defeitos.

A Grande Família
Antes de falar do S08 propriamente dito, nada mais justo do que te dar uma ideia de quem é a novata, não é? Pois bem. A JETOUR é mais uma das muitas marcas do grupo Chery, assim como a Omoda & Jaecoo e a iCAUR, outras duas montadoras que chegaram ao Brasil há pouco tempo – entre o ano passado e esse.
Ela foi lançada em 2018 e atua exclusivamente na comercialização de veículos utilitários esportivos – os famigerados SUVs. Recentemente, porém, a Chery anunciou que irá reposicioná-la como uma marca voltada ao off-road de luxo e o primeiro produto dessa nova etapa chegará ao Brasil ainda em 2026.

Apesar do reposicionamento, o novo S08 chega com a missão de fazer a fabricante ganhar espaço no mercado brasileiro, disputando na acirradíssima faixa dos 250 mil reais com um produto eletrificado que aposta no porte, no conjunto mecânico e na lista de equipamentos pra convencer clientes que olhariam pra outros lados.
Isso fica evidente assim que olhamos o S08 por fora, pois seu design é o mais convencional dentre todos os produtos da JETOUR no país. A marca também optou por um acabamento sóbrio e escurecido pra cabine, mostrando que mira em um cliente mais maduro e tradicional. Ao meu ver, uma decisão bem tomada.

Repare que os bancos, portas e console são em cinza bem escuro; apenas as colunas e o teto são claros, um padrão que o brasileiro conhece bem porque é utilizado por inúmeras marcas há décadas. A central multimídia, embora seja enorme (15,6″), não parece perdida no interior do SUV e pode se virar 10º pra direita ou esquerda.
A JETOUR exalta (com razão) a presença de botões físicos pra ajustar o retrovisor, ar-condicionado, travas infantis e etc., ou seja, mais um elemento que mira em um consumidor mais conservador, desgostoso de modernidades como a regulagem dos espelhos nos botões do volante como muitos chineses fazem.

Eu mesmo sou um desses clientes que até curte modernidades, mas que acredita na eficácia do simples pra muita coisa, então os primeiros pontos a favor do S08 já podem ser creditados. Embora não haja uma percepção de requinte, o interior agrada e passa a sensação de estar no lugar certo, sem tentar parecer o que não é.
Os ajustes elétricos pras três filas de bancos foram uma bela surpresa e permitem que o espaço seja negociado entre os ocupantes – e o espaço é bom. Não há fartura na 3ª fila, mas o teto é um pouco mais alto do que em modelos conhecidos e a presença de saídas de ar no teto melhora, substancialmente, a vida de quem vai ali.

Chinês? Mesmo?
Itupeva/SP – o teste do JETOUR S08 aconteceu dentro de um condomínio fechado e compreendeu algumas voltas em um trecho sinuoso, repleto de subidas e descidas, com direito a pequenas retas que permitiram “esticadas” controladas. A ideia era ver a dinâmica tanto da carroceria quanto do conjunto híbrido plug-in.
Esse conjunto combina um bloco 1.5 turbo a gasolina e um motor elétrico em um layout de tração puramente dianteira (FWD), com ambos podendo tracionar o veículo separadamente ou juntos. O que eu mais olho nesse caso é como a “conversa” entre eles acontece o quanto dessa conversa “vaza” pros ocupantes.

Pelo menos nesse percurso limitado, a conversa ocorreu como deveria: o condutor quase não sabe o que tá acontecendo. A troca de motores é imperceptível, sem trancos ou solavancos de qualquer espécie (como já vi acontecer em modelos muito mais caros) e mesmo com o 1.5 turbo em uso, pouco se ouve dele. Muito bom.
Você pode escolher entre três modos de condução, mas o S08 sempre dará preferência a usar o motor elétrico – como em todo híbrido, pois é o mais forte da arquitetura e, também, o que economiza combustível. Dá pra sentir o 1.5 turbo ajudando em pisadas mais fortes, mas ele é progressivo e suave, discreto. Em suma, aprovado.

Dinamicamente falando, o S08 também agradou. Há suspensão independente e freios a disco nas quatro rodas, conjunto que mostrou um comportamento bastante neutro e seguro; não deu pra ver como ele lida com buracos e defeitos da pista, mas as expectativas são boas, apesar dos pneus runflat.
De perfil 50, eles se mostraram bastante silenciosos, mas ainda estamos falando de pneus runflat e isso se traduz em maiores custos de reposição e reparo. Particularmente preferia que a JETOUR tivesse utilizado pneus convencionais com um estepe do mesmo tamanho, algo que a marca pode vir a adotar futuramente.

Falando da vida a bordo, o S08 traz um painel de instrumentos bem completo e funcional, bem como uma tela (gigante) pra central multimídia. A qualidade da imagem de ambos é boa, mas a legibilidade perante a luz direta do sol deveria ser melhor. Há muitas configurações e você levará algum tempo até descobrir tudo.
Os principais recursos são de fácil acesso: ajustes dos bancos nas portas, atalhos de ar-condicionado no console e controles gerais do veículo (como luzes) na tela inicial do multimídia… Tudo pra evitar navegações desnecessárias por menus infinitos, embora você precisará fazer isso pra alguma função cedo ou tarde.

O 1º contato com o JETOUR S08 foi rápido e curto, mas agradou e mostrou que a marca foi cuidadosa ao montar o “pacote Brasil” do SUV. O preço competitivo aliado ao bom conjunto eletrificado e ao nível de equipamentos satisfatório promete roubar clientes que, em outros tempos, escolheriam produtos mais consolidados.
Não deu tempo de observar nenhum ponto fraco tão gritante ou mais expressivo, o que só seria possível em um teste de uso diário mais longo, mas isso também mostra que o S08 talvez careça apenas de ajustes finos pra, enfim, concorrer em pé de igualdade com nomes de peso que já são conhecidos e queridos do público.




































