Esqueça os pessimistas e os haters: o carro elétrico veio pra ficar e está cada vez mais perto de abocanhar 1/4 das vendas mensais de veículos de passeio 0km no Brasil, o que é muita coisa pra algo ainda tão novo no mercado. As vantagens dos EVs são muitas e os motivos pra pensarmos em ter um, também, mas é claro que existem “poréns” no meio disso.
Não vou me aprofundar neles agora porque não é o objetivo do post, além das subjetividades como gostos, necessidades, medos, esse tipo de coisa. Eu quero falar daquele que é, pra mim, o principal motivo que pode impedir você de adquirir um carro elétrico nesse momento e que é a pergunta que sempre faço pras pessoas que me questionam sobre esse tipo de veículo.

Você tem onde carregá-lo com segurança?
Pois é. A grande, essencial, elementar, primordial pergunta que você deve responder antes de cogitar adquirir um carro elétrico é se você tem onde carregá-lo com segurança – leia-se em casa, seja na sua ou na de um parente próximo. É verdade que a oferta de carregadores de rua cresce a cada dia, mas você não deve ficar contando com eles por algumas razões simples.
A 1ª e mais óbvia delas é que aquele carregador estratégico com o qual você contava naquele momento crucial pode estar ocupado – aí, a solução é sentar e chorar. A 2ª é que a maioria dos carregadores mais acessíveis é de carga lenta, o que significa que um mínimo de recuperação de energia pode tomar um tempo precioso que, talvez, você não tenha. Horas.
A 3ª é que não é raro encontrar carregadores de rua vandalizados ou com problemas técnicos de outra espécie, o que também impossibilita a recarga. Em suma: como eu sempre digo, os carregadores de rua devem ser vistos como recursos emergenciais e esporádicos; comprar um carro elétrico contando com eles é uma baita imprudência e falta de sabedoria.

Por outro lado, quando você tem a possibilidade de carregar onde mora (casa, apartamento, o que for), a coisa muda completamente de figura porque você sabe que terá a tranquilidade de deixar seu veículo sendo recarregado enquanto descansa, arruma as coisas, dorme… Não importa. Chegou em casa? Plugou na tomada e tá tudo resolvido.
E não precisa ter um wallbox caro e sofisticado: uma simples tomada de três pinos, 220 volts e 20 amperes já é o suficiente junto de um carregador doméstico padrão (que acompanha a maioria dos carros no ato da compra). Alguns modelos aceitam recarga em 110 volts, mas não é comum: o mais indicado ainda é uma tomada com as especificações acima.
Outro motivo crucial que torna a recarga doméstica mais adequada é o fato da baixa potência. Isso porque o uso frequente de carregadores rápidos acelera o desgaste da bateria a médio e longo prazo, reduzindo sua autonomia e eficiência. Pra garantir a saúde e longevidade do seu EV, recarregue-o sempre que possível nos carregadores de baixa potência.

“Não tenho como carregar em casa, mas tem um lugar perto onde eu poderia deixar tranquilo” – o lance todo é esse, meu caro e minha cara. A ideia de um elétrico visa justamente ampliar o conforto e a praticidade no dia-a-dia, reduzindo os gastos de locomoção, mas se for trazer mais dor de cabeça do que solução, aí deixa de valer a pena, concorda?
Custo de rodagem, custo de propriedade, custos de manutenção… todos eles são infinitamente menores do que nos carros com motores a combustão, mas de nada adiantará se você for passar perrengues variados a cada vez que precisar fazer uma recarga, portanto lembre-se: se tiver um lugar tranquilo e seguro pra isso, ótimo. Caso contrário, vá de híbrido.





